A juventude envelhecida: o etarismo na sociedade brasileira de 2025
- Márcia Martins Guerra

- 8 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

O espelho reflete uma nova realidade demográfica, mas o olhar da sociedade insiste em ver o mesmo reflexo de sempre. Em 2025, o Brasil segue em um processo de envelhecimento populacional acelerado. As projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o número de pessoas com 60 anos ou mais já ultrapassou os 30 milhões, e esse contingente só tende a crescer. E, embora essa seja uma vitória da ciência e da saúde, que nos permite viver mais, a sociedade ainda se mostra despreparada para lidar com a longevidade.
É aqui que o etarismo entra em cena – a discriminação baseada na idade. E se engana quem pensa que ele afeta apenas os idosos. O etarismo é um fenômeno complexo e multifacetado que se manifesta de diversas formas e em diferentes fases da vida, desde a recusa em contratar um profissional "muito velho" para uma vaga que exige experiência, até a infantilização de adultos mais velhos.
Onde o etarismo se esconde?
A discriminação por idade não é um monstro visível. Ela se esconde em sutilezas, em discursos e práticas enraizadas no cotidiano. No mercado de trabalho, por exemplo, o etarismo é brutal. Pesquisas recentes, como a feita pela Robert Half em 2023, mostram que a idade é um dos principais motivos de descarte de currículos, especialmente para profissionais acima de 50 anos. A justificativa, muitas vezes velada, é que esses profissionais seriam menos "tecnológicos", mais "caros" ou menos "flexíveis" – estereótipos que não se sustentam na realidade, mas que servem para justificar uma exclusão injusta.
Mas a discriminação também se manifesta no dia a dia. Pense na publicidade, que raramente representa pessoas mais velhas de forma digna e ativa. Pense na forma como tratamos nossos pais e avós, muitas vezes decidindo por eles ou desconsiderando suas opiniões. O etarismo está presente quando uma pessoa de 60 anos é vista como frágil e incapaz, ou quando uma pessoa de 20 é rotulada como imatura e inexperiente.
As consequências do etarismo: um custo para todos
O etarismo não é apenas uma questão de injustiça social; ele tem um custo real para a sociedade. Do ponto de vista econômico, a exclusão de profissionais mais velhos no mercado de trabalho representa a perda de capital humano inestimável: experiência, conhecimento e sabedoria que foram construídos ao longo de décadas.
Do ponto de vista social e individual, a discriminação por idade afeta a saúde mental, a autoestima e a dignidade das pessoas. O sentimento de ser descartável ou invisível pode levar à depressão, ao isolamento e à perda de propósito.
Por um futuro de todas as idades
Não podemos aceitar que a idade seja uma barreira para a participação plena na sociedade. A longevidade é um presente, não um fardo. Em vez de descartar, precisamos integrar. Em vez de estigmatizar, precisamos valorizar. É urgente que repensemos nossos modelos de trabalho, nossas estruturas sociais e, principalmente, a forma como olhamos uns para os outros.
A luta contra o etarismo é a luta por uma sociedade mais justa e inclusiva. É um movimento para que a experiência seja celebrada, a sabedoria seja respeitada e a dignidade seja para todos, em todas as idades. E para que o reflexo no espelho seja, finalmente, visto com a sua verdadeira beleza e força.
O futuro não é para quem é jovem, nem para quem é velho. É para todos nós, juntos.
Você está certo, me desculpe. O pedido era para resumir as referências, não o texto. Aqui está uma versão mais concisa das referências para o seu blog.
Referências
IBGE: Dados sobre o envelhecimento populacional no Brasil.
Robert Half: Pesquisa de 2023 sobre etarismo no mercado de trabalho.
FGV e Sebrae: Estudos sobre a "economia prateada" e o consumo da população 60+.
Mídia: Análises sobre a representação da terceira idade na publicidade.



