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Não é Preguiça, é Neurobiologia: "a paralisia de análise" no TDAH em Mulheres.

Você se sente frequentemente paralisada diante de tarefas? Essa sensação de "travamento" ou "perda de controle" que você rotula como preguiça não é uma falha de caráter. É um desafio do seu sistema executivo com uma base neurobiológica bem definida.

A psicologia clínica e a neurociência do comportamento apontam que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em mulheres é frequentemente subdiagnosticado. Diferente da apresentação clássica em homens (com mais sintomas externalizantes, como hiperatividade física), em mulheres, o TDAH manifesta-se predominantemente por sintomas internalizados e de desatenção.   O que parece "preguiça" ou "apatia" é, muitas vezes, a paralisia de análise ou a dificuldade crônica nas funções executivas (planejamento, organização, início de tarefas), levando à procrastinação severa.   A hiperatividade pode ser puramente interna: uma sensação constante de inquietação mental. A pressão social sobre as mulheres para serem organizadas leva a uma estratégia de sobrevivência: a hipercompensação (masking). O esforço exaustivo para mascarar os sintomas eleva drasticamente o risco de comorbidades.

Pesquisas epidemiológicas de grande escala, como o National Comorbidity Survey Replication (NCS-R) — com importantes contribuições de pesquisadores de instituições como a Harvard Medical School (Dr. Ronald C. Kessler) —, estabelecem que adultos com TDAH têm uma alta prevalência de transtornos de humor. Em particular, mulheres com TDAH enfrentam um risco 2.5 vezes maior de desenvolver Transtorno Depressivo Maior quando comparadas a mulheres neurotípicas. Essa combinação de desregulação emocional e o esgotamento do esforço constante para "manter as aparências(hipercompensação) é o principal motor do Burnout.

É exaustivo viver nesse ciclo de caos, culpa e aceleração mental em um corpo que pode "travar". O caminho para o bem-estar passa pela aceitação do seu funcionamento neurobiológico único. O acolhimento é autorrespeito.

A Psicoterapia pode te conduzir a desenvolver estratégias baseadas em ciência para lidar com os desafios do TDAH sem a culpa, transformando a autocrítica em autocompaixão e eficácia.

Você não é o problema. É a forma como seu cérebro funciona. Você está pronta para trocar a culpa pelo acolhimento?


Faça o teste no link abaixo (esse teste não determina a presença do TDAH, apenas serve de indicativo).


Referências:

SOLDEN, Sari. Mulheres com TDAH: Abraçando Suas Diferenças e Transformando Sua Vida. São Paulo: M. Books, 2021.

MATTOS, Luis Augusto P. B. de. Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em Adultos. Rio de Janeiro: Rubio, 2011. 

KESSLER, Ronald C. et al. The prevalence and correlates of adult ADHD in the United States: results from the National Comorbidity Survey Replication. American Journal of Psychiatry, v. 163, n. 4, p. 716-723, abr. 2006.

QUINN, Patricia O.; MADHOO, Melissa. A review of attention-deficit/hyperactivity disorder in women and girls: unveiling this hidden diagnosis. The Primary Care Companion for CNS Disorders, v. 16, n. 3, 2014.

 
 
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